Terça-feira, 17 de Março de 2009
PENSATA ANIMAL - Artigo de Simone Nardi
Ensaio sobre a cegueira Imprimir E-mail
Simone Nardi
Seg, 09 de Março de 2009 00:00
 
"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."
Citado no "Livro dos conselhos",
de El-Rei Dom Duarte.

A maioria já deve ter lido ou ao menos ouvido falar do livro "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago; vamos apenas pincelar o livro que narra como de repente uma cegueira branca vai se espalhando, contaminando e tomando conta das pessoas; a princípio parece ser incurável e aos poucos toda a humanidade vai ficando cega, reduzida a seres meramente instintivos. Em meio a tanto terror, apenas uma pessoa não perde a visão e é ela, sozinha, que os guia dentro dessa cegueira branca, dentro desse mundo desconhecido e assustador. O filme retrata como o ser humano é capaz de perder anos de civilização ao ser privado de um de seus sentidos. É possível compreender no livro a necessidade dos "cegos", em confiarem naquele único ser que enxerga, de modo a poderem se humanizar e se socializar novamente, pois o governo os envia a um sanatório e, quanto mais pessoas chegam, mais deplorável fica o lugar. Começam a surgir disputas pela comida e pelo domínio do sanatório, situações constrangedoras fazem com que os personagens comecem a se questionar sobre sua dignidade, seu auto-respeito e seu orgulho.

Por trás do livro podemos notar que Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, e sabemos que todo esse orgulho e dignidade são deixados de lado quando o animal humano é posto diante do animal não humano. Em confronto com um ser que ele julga inferior, o animal humano esquece que é civilizado e se bestializa de tal forma que perde sua verdadeira identidade, seu orgulho e seu auto respeito, descendo a níveis que os animais não humanos não conseguem alcançar, a própria "miséria moral". Foi há muitos anos atrás que essa cegueira branca teve início, ao matar no animal humano todo seu senso de moral, compaixão é ética pelos animais não humanos. A ética social, tal como no livro, desmoronou desde então. O animal humano cego pelo orgulho e pela vaidade separou-se da natureza, espezinhou-a e aos seus outros filhos, os animais, com a mesma crueldade com que trata tudo aquilo que lhe é diferente. Nessa sua cegueira, a humanidade é capaz de ignorar o fato de que há uma igualdade senciente entre nós e os animais, é capaz de se manter cega diante de tanto sofrimento, ensaiando o dia em que consiga obter a coragem de enfrentar seus medos em resistir à cegueira a qual a condicionaram.

"O medo cega, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.[...] Quantos cegos serão preciso para fazer uma cegueira, Ninguém soube responder." (J. Saramago)

Quanto ainda será preciso mostrar, demonstrar, expor, falar ou escrever sobre o sofrimento animal, antes que os "cegos da ética" notem que estão errados, que estão com medo e que esse medo os cega. Quanto ainda teremos que pedir para que abram seus olhos, pois somente assim essa cegueira se dissipará e a ética voltará a se fazer parte da sociedade? Esse cegos contemporâneos são cegos do coração e da alma, são cegos da moral e da ética, guiam outros cegos e conhecemos a velha frase que nos diz: "Cegos guiando cegos,ambos cairão no abismo". Já estamos caindo no "abismo" a cada dia que passa, por todo o desrespeito que as pessoas mostram em relação aos animais; é a humanidade quem polui o seu próprio ar, que contamina sua própria água, que apodrece sua própria terra, que desrespeita a eles, os animais não humanos e em igualdade, a si mesma, mas a maioria ainda deseja se manter cega diante disso. Essa cegueira não os deixa ver aonde pisam nem em quem pisam, não os deixa livres para escolherem qual caminho tomar, qual posição escolher.São cegos que temem enxergar, porque fazem tantas coisas ruins aos animais que se envergonham, e se fecham cada vez mais dentro de uma cegueira manipulada e cruel.

"Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem" (J. Saramago)

Essa á a grande parcela da humanidade hoje diante da exploração animal, cegos que vendo, ainda assim fingem não ver, que diante da repulsa que a visão do sofrimento animal acarreta, com uma insensibilidade fora do normal, conseguem ignorar o que lhes mostrado, que hibernam em seus costumes e tradições bárbaras com medo de enxergar a verdade de seus atos cruéis.

"Por que cegamos?"

Porque passamos a nos achar seres privilegiados, seres mais fortes, mais poderosos e, no entanto, nos tornamos seres mais cruéis, mais frios, mais irracionais. Não somos cegos, estamos cegos diante daquilo que não desejamos ver, a agonia animal que praticamos todos os dias.

Assim como os personagens de Saramago perderam o senso de civilidade, hoje, os cegos contemporâneos, perderam o senso de civilidade junto a natureza, junto aos animais, tornaram-se egoístas ao fazerem da Terra, um Planeta para uso exclusivo de animais humanos.Não dividem, não doam, ao contrário, tomam a força, ameaçam, humilham, matam, violam e desmoralizam qualquer ser que se oponha a essa cegueira.

Saramago diz que deseja que seu leitor sofra ao ler o livro, tanto quanto ele sofreu as escrevê-lo. E hoje nós sofremos por essa cegueira que perdura há séculos, séculos de tortura, de morte e muito sangue. Tal como o livro, a vida dos animais tem sido um capítulo brutal e violento, repleto de experiências dolorosas e aflições sem fim.

"Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." (J. Saramago)

O que nos falta para reconhecermos isso, então? O que nos falta para enxergarmos que, o que fazemos com os animais se opõe a qualquer ética que tentemos criar para nos proteger uns dos outros? Que falta para as pessoas abrirem os olhos e enxergarem que os gritos de agonia só irão cessar quando elas mudarem? Não somos cegos, repito, estamos cegos, e ser cego é uma opção.

A cura para essa cegueira nada mais é do que a aceitação verdade, e a verdade é que realmente não somos bons que, embora o veganismo nos guie para a moralização ética, nós nos afastamos desse guia por medo de descobrirmos que não somos aquilo que pensamos que éramos: seres bondosos e racionais. Temos medo, tanto quanto os cegos de Saramago, de caminharmos por esse mundo desconhecido e assustador que é o respeito aos animais não humanos, não estamos acostumados a respeitá-los, somos orgulhosos demais, porém a cegueira nos tem feito viver num mundo igualmente deplorável ao sanatório onde os cegos de Saramago viviam, fingimos não ver, mas sentimos o cheiro da morte e da nossa sujeira. Quando será que a humanidade se desvencilhará dessa cegueira para alcançar a sua lucidez, pois qualquer pessoa que saiba sobre o sofrimento animal e nada faça a esse respeito, está cego e perdeu parte de sua sanidade. Seria irracional nos colocarmos como seres racionais diante da visão do abate de um animal, diante da vivissecção, diante das touradas, bem mais fácil realmente seria essa posição ocupada pela grande massa, a de seres cegos e insensíveis a dor, não há como explicar de outro modo como alguém que tendo conhecimento sobre o que acontece com os animais, não mude, nem tente mudar.

É preciso que nos se humanizemos e nos socializemos novamente com a natureza, com os animais, com o mundo no qual vivemos, precisamos ter coragem para abandonarmos a cegueira de anos e anos de exploração animal, por uma conduta mais digna, pois o ser humano que usa de sua força contra um ser qualquer, não é digno, nem possui qualquer valor moral e os animais humanos necessitam, urgentemente, se moralizarem perante a natureza e sobretudo, diante dos animais não humanos.

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."1

Se podes enxergar e reparar, então que esperas para mudar?

Referências Bibliográficas

 

SARAMAGO, José - Ensaio sobre a cegueira.

Nota

1 Metáfora sobre aqueles que tendo visão, se recusam a ver, pois é bem mais fácil ignorar as coisas que fazemos de mal aos outros seres do que passarmos a nos enxergar como verdugos cruéis.

 

 

NOTA - Tomei a liberdade de publicar, aqui, no Mumbles, este artigo de Simone Nardi, extraído da revista "Pensata Animal", por me parecer ser um daqueles artigos que todos deveriam poder ler.

Esta "nova forma de estar no mundo" enquadra-se perfeitamente naquilo qu eu sinto ser desde que me conheço e refere, ainda, uma das obras de José Saramago que eu li, por várias vezes, e que acabou por originar um trabalho de expressão plástica que aqui vos deixo, em rodapé.

 

 

 

 

 


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publicado por poetaporkedeusker às 14:10
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22 comentários:
De Fisga a 17 de Março de 2009 às 16:53
Olá amiga João. Por já ter a minha escrita mais ou menos orientada, quedei-me por aqui, e alem de ler este teu macete todo (termo não depreciativo) Acabei por ri também parar ao artigo de Simone Nardi, é um tema muito interessante, pena minha não ter mais disponibilidade, porque se trata de temas que são muito morosos. Mas gostei muito do que li. Eu venho aqui muito de longe em longe, porque este lugar é só para quem tem traquejo e tempo, e a mim faltam-me as duas coisas. Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 17 de Março de 2009 às 22:25
Eu gostei tanto do texto e da análise comparativa feita por Simone Nardi, que não resisti à tentação de publicá-la no Mumbles. Fico muito contente por teres gostado, embora estejamos ambos com muita falta de tempo para grandes leituras.
Um grande abraço.


De Fisga a 18 de Março de 2009 às 16:00
Olá amiga João. Mas eu não te disse. Eu guardei o endereço nos meus favoritos para quando estiver mais folgado ir espreitar de novo, eu tenho pena d ter tão pouco traquejo para estas coisas, mas tenho vontade já são alguma coisa. Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2009 às 16:10
Estou mesmo aflita porque a minha Happy Hour já terminou. Obrigada por teres guardado este texto pois ele é interessantíssimo.
Abraço grande!


De Fisga a 18 de Março de 2009 às 17:56
Olá amiga João. Tu desculpa a ignorância do macaco. Mas eu não sei o que é a happy Não é nenhuma receita nova de culinária, pois não? Abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2009 às 21:57
Desculpa, Eduardo. Eu deveria ter-me explicado melhor... Happy Hour é um período de tempo em que sai mais barato navegar na internet.
Abraço grande.


De Fisga a 19 de Março de 2009 às 16:27
Olá amiga M. João. Quem nunca se enganou que dê um paço em frente. Eu já sabia que ficava tudo na mesma. Não há crise, eu agora já entendi é uma tarifa mais barata, em certo horário, Ok. Abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 19 de Março de 2009 às 22:27
É isso amigo. Tento fazer o máximo durante a Happy Hour e depois trabalho mais em ficheiros. Não me dá jeito nenhum porque as horas da manhã costumavam ser todas gastas a tratar dos animais, mas vou tentando...


De Fisga a 20 de Março de 2009 às 16:52
Olá amiga Maria João. Agora já entendo o esquema. Mas mesmo assim, quando eu aí for, ainda havemos-de falar sobre isso. Diz-me: se a tua internet é móvel, e se for móvel diz-me porque, tem que ser móvel. Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 20 de Março de 2009 às 22:19
O que é isso de móvel? O pc é um portátil e a banda larga é da TMN, uma caixinha que se introduz de lado, no portátil. Era isto que querias saber, amigo?


De Fisga a 21 de Março de 2009 às 11:13
Olá amiga. João. Sim é isso. Portanto tu não tens nenhum fio ligado ao P. C. é só essa coisinha que ligas de lado tu se quiseres podes levar o p. c. para a rua e tens internete desde que ligues esse aparelhinho. é isso?


De poetaporkedeusker a 21 de Março de 2009 às 11:44
É isso, sim, amigo... mas uma vez em que estive para o levar, por causa daquela incompatibilidade que o portátil tinha com a banda larga, avisaram-me logo de que eu talvez chegasse ao destino, mas o portátil não chegava, de certeza... tive de me desnvencilhar sozinha porque eu sou um bocado temerária e se alguém me quisesse roubar o 2008, eu não deixava mesmo... e depois... olha, nem sei. Ainda tinham de dar cabo de mim primeiro para me tirarem o poetaporkedeusker e, agora, não me convinha nada... ainda tenho muitos animais e muitos poemas por nascer.
Abraço grande.


De Fisga a 21 de Março de 2009 às 11:59
Olá amiga João. Sabes eu procurei-te isto, porque eu penso que tu podes ter interneté muito mais barata se for possível ligar ao p. c. por fios, mas eu vou-me informar, e depois digo-te. Isto se tu quiseres claro. Eu pago 19 € e estou das 9 da manhã até ás 8 da noite e ás vezes mais e nunca pago excesso. Porque eu tenho pena que tu pagues tanto e ainda tenhas que andar a controlar as horas em que é mais barato. Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 21 de Março de 2009 às 12:12
Amigo, acredita que eu não paguei estas últimas contas. Não sei o que está a acontecer, mas sei que não poderia pagá-las de maneira nenhuma. Ainda tinha e tenho imensos problemas de dívidas que só resolvi parcialmente e que se foram acumulando ao longo de meses e era-me impossível ter pago tudo. O problema está todo em tê-las feito... houve quem as fizesse para viajar, comprar um carro novo, fazer operações estéticas, etc, e houve quem, como eu, as fizesse para sobreviver. É a crise, amigo Eduardo...
Abraço grande.


De Fisga a 21 de Março de 2009 às 18:49
OLÁ AMIGA JOÃO. Não te preocupes, que os devedores quando são maus, até se podem esquecer das dividas que têm, mas os credores esses nunca se esquecem, Vai pedindo a Deus que eles vão tendo pena de ti, não lhe peças que eles te perdoem as dividas porque eles não as perdoam. E nem temas que eles te possam ir hipotecar os gatos e os cães que eles não vão fazer isso. por isso podes viver descansada. Um bom fim de semana. Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 21 de Março de 2009 às 21:02
Pois, mas eu ainda tenho acesso e nãosei como... mas claro que estou a tentar poupar no tempo online.
Abraço grande.


De Escondida a 17 de Março de 2009 às 18:03
E ainda bem que tomaste essa liberdadade, assim todos tivemos acesso a este texto.

Bjinhus


De poetaporkedeusker a 17 de Março de 2009 às 22:27
Fico feliz por tê-lo feito, Escondidinha. É que embora eu seja, ainda, um bocadinho "selvagem", identifiquei-me imenso com este magnífico texto.
Beijinho grande.


De adnirolfpa a 17 de Março de 2009 às 18:32
Cheguei a Saramago há pouco. Tinha uma "imagem" um pouco estranha dele como escritor e o que me tinha "chegado"as mãos não me despertou. Mal saiu o "Ensaio sobre a Cegueira" li. Melhor , devorei de uma só vez e mais tarde reli. Fascinou-me tudo o que nos é mostrado nas entrelinhas. Vi o filme(em casa que o tusto não dá para cinemas), confesso que fica muita aquém da leitura. Mas isso não é de estranhar pois ainda não vi nenhum filme que fizesse jus á obra escrita. Também li Ensaio sobre a Lucidez e Intermitências da Morte.
Gostei desta abordagem que nos deste o privilégio de partilhar.
Bj e obrigada


De poetaporkedeusker a 17 de Março de 2009 às 22:36
Pois... esses dois ainda eu não li. Nem a Viagem do Elefante, que anda a sorrir-me das montras há algum tempo... mas "apaixonei-me" pela escrita de Saramago logo nas "Crónicas deste Mundo e do Outro"... esse foi-me emprestado há muitos anos, por uma amiga e eu devorei-o várias vezes no pouco tempo de que dispus para o ler. A partir daí, foi como se me reencontrasse na escrita de outra pessoa. Há duas crónicas que nunca esquecerei, por muitos anos que passem... uma, de cujo título me não recordo bem - penso que era "Hip, hip... Hippies"- e outra que falava da luta do último homem vivo sobre o planeta. Esse, o único que realmente lutava pela sobrevvência da humanidade. Nem podes imaginar o impacto que esse livro teve em mim...´nem eu tenho palavras para lá chegar.
Abraço grande.


De adnirolfpa a 17 de Março de 2009 às 18:34
Ah...........pensavas que não reparava????!!!!!!
O quadro esta lindo lindo e muito expressivo!


De poetaporkedeusker a 17 de Março de 2009 às 22:38
:) Olha, foi a minha modestíssima homenagem ao livro.
Não vi o filme. A minha televisão está meia morta, é uma muito velhinha que a D. Isa me emprestou, e só vai apanhando um canal, quando lhe apetece...
Bjo.


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