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Irlanda resgata animais de galeria de arte
(Por Maria João Pinto. In “Diário de Notícias”, 14 de Março de 2009,
http://dn.sapo.pt/2009/03/15/sociedade/irlanda_resgata_animais_galeria_arte.html)
 
A história repete-se: há cerca de dois anos, numa galeria de arte, uma cadela abandonada e doente foi deliberadamente deixada morrer de fome e de sede como parte de uma "instalação plástica" do costa-riquenho Guillermo Vargas Habacuc. Chamava-se Natividad e o seu sofrimento suscitou o repúdio de milhões de pessoas em todo o mundo, gerando uma das maiores e mais expressivas petições da história da Internet: mais de dois milhões de assinaturas.
 
Desta vez, uma idêntica tentativa de (ab)uso de animais em nome da arte foi travada a tempo, em espaço europeu: na Irlanda, após várias semanas de protestos de associações e de cidadãos, o Drogheda Arts Center retirou finalmente de exposição dois cães abandonados que, desde 25 de Fevereiro, haviam sido confinados a duas jaulas no âmbito da "instalação" If art could save your life (Se a arte pudesse salvar a tua vida, em português).
 
O autor, Seamus Nolan (n.1978), actualmente a residir e a trabalhar em Dublin, usara argumentos não muito diferentes dos de Guillermo Vargas Habacuc como justificação: as suas "criações plásticas" constituiriam, em seu entender, um "manifesto contra a indiferença e a hipocrisia" e pretenderiam "questionar a noção de objecto" no sistema de valores da sociedade actual.
 
Provenientes do County Louth Public Dog Pound, o equivalente a um canil municipal, os dois animais - um com quatro anos, outro com cerca de um ano de idade - foram retirados da galeria no passado dia 4 e de imediato encaminhados para famílias de adopção. Seamus Nolan e a instituição que o acolheu pretendiam devolver os animais ao canil para aí serem abatidos uma vez terminada a "exposição".
 
Segundo a National Animal Rights Association, da Irlanda, esta vitória da sociedade civil irá dar frutos no futuro: o Drogheda Arts Center comprometeu-se a "não aceitar mais animais" na "instalação" em apreço - que continua patente até dia 20, agora com as jaulas vazias - e a ajudar outros a encontrarem novas casas. Nomeadamente os que se encontram no canil de Louth.
 
Uma petição relativa a este caso, alojada em
www.petitiononline.com/justine1/petition.html, relembra, entre o normativo internacional, o articulado do Tratado de Lisboa, no qual expressamente se sublinha que os animais "não são objectos".
 

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