Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
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Quinta-Feira, dia 24 de Julho, às 20h, em Frente à Praça de touros de Caldas da Rainha


Este Será um Protesto silencioso | Pedimos Às/Aos Activistas que Venham Vestidos de Preto
(ou escuro, caso não tenham roupa preta)

Conforme está publicitado há algumas semanas em alguns sítios da Internet, incluindo o sítio oficial do CDS/PP, está marcada uma Tourada com a chancela deste Partido Político, para o próximo dia 24 de Julho, na Praça de Touros de Caldas da Rainha. Aquando do primeiro anúncio deste evento, a ANIMAL iniciou um contacto com o Grupo Parlamentar do CDS/PP, a fim de perceber se o referido anúncio era verdadeiro, e, a sê-lo, envidar todos os esforços para que este não se viesse a realizar. Depois de perceber que, por muito boa vontade que quem de dentro do Grupo Parlamentar do Partido se opõe a este evento tivesse, não tinha poder para impedi-lo, aANIMAL decidiu, assim, tornar o protesto público. Há muito que é sabido que o Presidente do CDS/PP, Dr. Paulo Portas, é aficionado das touradas, contudo, o seu mórbido gosto pessoal não deve, de forma alguma, tornar-se *do* Partido que dirige. O CDS/PP está a mostrar aos cidadãos que não se importa de sujar as suas mãos com sangue de inocentes, ainda que isso lhe possa custar alguns milhares de votos.

A ANIMAL conta com a sua presença neste dia, e pede-lhe que traga também outras/os amigas/os dos animais. A sua presença é insubstituível. Pelos animais, não esqueça isto.


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:28
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
UMA IDEIA COM PERNAS PARA ANDAR

 

 

 

 

 

 

 

Na passada quinta-feira, 20 de Maio, e em mais um protesto contra a realização de touradas na capital de Portugal, três activistas da ANIMAL dispuseram-se a simbolizar aquilo por que os touros passam durante o miserável espectáculo, enquanto uma centena de outras/os activistas se mantiveram em silêncio, empunhando cartazes com slogans contra as touradas e pela defesa dos direitos dos animais. Esta forma de sensibilização da comunidade, que é ao mesmo tempo uma acção de protesto contra o horror que é a tauromaquia, é tão importante quanto o trabalho político, judicial ou outros que possam ser levados a cabo pela ANIMAL. Agradecemos, portanto, a cada activista que se dispõe a participar e apoiar estas acções, não duvidando da sua importância. O seu contributo tem um valor inestimável.
 
Importa deixar claro que, seja no âmbito das acções da ANIMAL, no contexto das actividades de qualquer outra organização ou partindo apenas da sua directa iniciativa pessoal, algo de que os animais desesperadamente precisam é que fale por eles, que ajude a representá-los, a denunciar os males que os afectam, a apontar as razões que fazem com que esses males não sejam aceitáveis e a apresentar as soluções e alternativas para esses problemas. Desde o activismo na Internet, participando em protestos por e-mail e lançando, divulgando e participando em petições electrónicas válidas, ao activismo de rua, através da distribuição de panfletos, da organização e/ou participação em acções de protesto e alerta, da promoção de bancas informativas em lugares públicos, das acções de educação em escolas, das palestras  em  salas de acesso público, etc., todas estas são formas fundamentais de activismo, integradas no melhor modelo de participação cívica que as grandes causas éticas exigem e têm apresentado – como acontece na defesa dos direitos humanos e cívicos, por exemplo. 
 
Importa também salientar que, enquanto muitas vezes, por motivos estratégicos, a ANIMAL tem que focar os seus esforços, em apenas uma ou duas campanhas centrais, e, dentro destas, tem que ir promovendo as suas diferentes fases e tudo o que estas implicam, haverá outro tipo de iniciativas, relativas a questões fora do âmbito destas mesmas campanhas, que não conseguiremos desenvolver. Nestes casos, a ANIMAL espera que, quem sinta a motivação para levar a cabo alguma iniciativa que tenha por fim beneficiar animais (e que não possa, nesse momento, ser desencadeada pela ANIMAL), chame a si mesmo esse trabalho e que avance com essa mesma iniciativa – se decidir fazê-lo, por favor contacte a ANIMAL, pois gostaremos de saber dessa iniciativa e, eventualmente, ajudar a que se concretize: info@animal.org.pt.

 

 

Divulgação da ANIMAL


 
 


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:17
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
PORQUE TODAS AS VIDAS SÃO VIDAS...

DIA 24 DE ABRIL 14H30 MARCHA CONTRA O BIOTÉRIO CENTRAL
 
A Plataforma de Objecção ao Biotério (www.pob.pt.vu) trabalha há mais de um ano contra a construção da "fábrica" de animais para pesquisas laboratoriais promovida pela Fundação Champalimaud, em terrenos da Azambuja.
 
A POB é um movimento cívico criado por um grupo de pessoas, na sua maioria ligadas às ciências da vida (Biólogos, Veterinários, Psicólogos) que se juntaram com o objectivo de combater este projecto.
 
É inadmissível este gasto de 27 milhões de euros de fundos públicos que podem reverter para servir as diversas necessidades das populações em vez de alimentar uma obra que não irá criar riqueza, nem trabalho, nem inovação científica.
 
Após a entrega na Assembleia da República da petição assinada por mais de 7000 apoiantes desta causa, vários partidos políticos mostraram-se sensíveis à mesma, o que levou a pequenas/grandes vitórias que podem ser consultadas no site da POB.
 
Estamos em mais uma altura crucial para conseguir travar este projecto!
 
A POB pede a colaboração de todos para continuar a combater esta iniciativa extemporânea e eticamente reprovável.
 
Se acha que a construção deste biotério é um mau investimento para o país, seja por razões científicas, económicas ou éticas;
Se quer que Portugal tenha um centro de alternativas à experimentação animal;
Se quer ver Portugal ser um exemplo de transparência e inovação cientifica;
 
Não falte à 2.ª Marcha contra o Biotério Central dia 24 de Abril, dia
Mundial do Animal de Laboratório.
 
A concentração terá início às 14h30 à porta da Fundação Champalimaud (Praça Duque de Saldanha, em frente ao Atrium Saldanha) e em marcha
prosseguirá até à Fundação Calouste Gulbenkien (Av. De Berna).
 
Para mais esclarecimentos ver www.pob.pt.vu ou contactar pobioterio@gmail.com
 
Agradecemos a sua ajuda na divulgação deste evento e contamos com a presença de todos.
 
A Plataforma de Objecção ao Biotério.
__._,_.___

 


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:31
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Sexta-feira, 26 de Março de 2010
PELOS ANIMAIS NÃO HUMANOS


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:14
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Sexta-feira, 19 de Março de 2010
PETIÇÕES

 

 

Limito-me a transcrever uma página das Notícias e Apelos da Animal que me pareceu de interesse geral. Sobretudo porque sou uma dessas "apressadinhas" que assina tudo e mais alguma coisa sem parar para pensar no que está a fazer. Este post destina-se a todos aqueles que, tal como eu, actuam "com o coração nas mãos" e sem a consciência do tremendo trabalho que se está a desenvolver no sentido de conseguir sensibilizar pessoas e instituições para esta causa.

Leiam atentamente e reflictam. Eu assim o fiz.
  
      
 
Todos os dias recebemos petições para assinar e links de sítios na Internet que nos incentivam a exercer o nosso direito à petição, não é verdade? São sítios portugueses e estrangeiros, onde, basicamente, podemos peticionar qualquer coisa que nos apeteça. Mas…já parámos para pensar como e para onde é que vai a petição que ali estamos a assinar? E, já agora, se o que assinámos pode realmente chamar-se petição? E…quem é que envia o quê e para onde? E…e… Não pensámos sequer nisso, pois não? Na nossa cabeça passa apenas a vontade de tomar posição acerca daquele assunto, e se é para assinar, assinamos já, e pronto, já fizemos a nossa parte. Mas…a nossa parte para quê? Pois bem, o que vimos pedir-vos é que reflictam connosco no seguinte:
 
O que é uma petição?
Uma petição é um pedido. Peticionar é, em traços simples, pedir – normalmente estes pedidos são feitos a órgãos de soberania ou a autoridades públicas. O direito à petição é-nos consagrado pelo artigo 52.º da Constituição da República Portuguesa, e é regulamentado pela Lei nº 43/90, posteriormente alterada pelas Leis nº 6/93, nº 15/2003 e, por fim, pela Lei nº 45/07. Todas as informações anteriores vêm mostrar-nos que, o pedido que queremos fazer, afinal tem normas para ser feito, e não pode ser simplesmente uma declaração de princípios, nem uma reclamação, e muito menos pode pedir algo que simplesmente não é “politicamente” exequível.
 
Podemos e devemos peticionar, bem entendido, mas é vital, a bem da causa que defendemos, que o façamos rigorosamente. Nenhum de nós quer assinar textos (que na verdade não são petições) só por assinar, mas sim, participar num pedido bem elaborado e fundamentado, que peça algo viável, que tenhamos a certeza de que chega ao legislador, e, muito importante, que seja credível e rigoroso, para que seja devidamente validado, e daí poder ser-lhe dado seguimento, e, eventualmente, o desfecho que é pretendido.
 
Não há nenhuma dúvida de que todos partilhamos uma imensa frustração face ao facto de vivermos, no ano de 2010, numa capital europeia onde ainda se estoqueiam animais em coliseus para satisfação de um público sequioso de sangue. E este é apenas um símbolo nacional da falta de respeito imensa que temos pelos outros animais, porque, como sabemos, tudo o resto que se passa é uma calamidade. A situação em que os animais vivem é completamente ignorada pelas autoridades a quem cabe fazer cumprir a lei (fraca que seja, existe), e, como se isso não bastasse, a frustração de quem pede ajuda para eles é objecto de escárnio por parte do legislador.
 
Ora, se já é tão difícil sermos levadas/os a sério, e sermos tratadas/os como advogadas/os de gente que não pode advogar-se a si mesma, e que tem, ainda por cima, como agravante, o facto de pertencer a uma espécie que não a humana, o rigor e a correcção com que devemos apresentar o nosso caso deve ser, na máxima extensão do possível, irrepreensível. Assim, e voltando ao tema “petição”, se vamos pedir algo a uma autoridade, devemos fazê-lo da forma certa, daquela que sabemos que resulta, e que pode chegar até ao ponto de ser ouvida e discutida. Infelizmente, na decisão final não temos voto, mas, pelo menos, saberemos que apresentámos o nosso caso da forma devida, e aí sim, fizemos nesse processo, a nossa parte.
 
A boa intenção é muito valiosa, mas infelizmente não chega, e, por vezes, à força querermos desabafar o quanto sofremos pela impotência que sentimos, acabamos por ser menos úteis (na prática) a quem *realmente* está a sofrer. Compreendemos e partilhamos essa sensação.
 
Sempre que chegam à ANIMAL petições para assinar (centenas por dia), e que nos é pedida a sua divulgação, e a recusamos, não é por má vontade nossa nem por não sermos os seus autores (a mensagem é o que importa e não o mensageira/o); isto sucede porque foi tão difícil chegar onde a ANIMAL chegou, ou seja, a ter realmente uma participação activa (tanto quanto possível) no processo legislativo, o que só foi possível porque as directrizes da ANIMAL são muito rigorosas e levam muito a sério todo este difícil processo, onde se pede tanto e tão pouco se alcança. O desapontamento é constante, mas não podemos, não devemos, nem queremos, correr o risco de pôr o avanço legislativo da protecção dos animais ainda mais em causa. Ele é tão lento e tão complexo, que toda e qualquer falha (que todos cometemos) é imediatamente uma razão para descredibilizar o movimento.
 
A intenção desta nota não é apontar dedos nem dizer que a ANIMAL é que sabe e os outros não; o propósito é, simplesmente, o de partilhar estas considerações convosco, tentando não vos desmotivar nem dizer que estão a fazer tudo mal e que não estão a ajudar, mas, pelo contrário, pedir a todos nós que ponderemos um pouco mais sempre que falamos, escrevemos ou pedimos algo em nome de outros (dos animais).
 
No site do Parlamento Português (
http://www.parlamento.pt/EspacoCidadao/Paginas/ProcedimentosApresentacaoPeticao.aspx) podemos consultar todas as normas para uma petição ser aceite. Infelizmente, “petições” feitas em sítios da internet, a não ser que saibamos de fonte segura (no caso de países que não Portugal) de que serão devidamente validadas e seguirão para quem de direito, não têm qualquer validade oficial. Isto é certamente algo que nenhum de nós quer, por isso, tomámos a liberdade de compartir convosco esta nota, de boa-fé, e na esperança de que possamos todos, juntos ou separados, de forma articulada ou não, trabalhar por um mesmo objectivo, ganhando e/ou solidificando o respeito e a credibilidade de que precisamos, para de forma digna e incorruptível, podermos exercer a nossa função de defensores dos animais. É o mínimo que podemos fazer por eles.

 

Rita Silva

 

Presidente da ANIMAL.                                                                                                                


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 16:08
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010
VIOLÊNCIA EPISÓDICA E ESTRUTURAL - Por Ana Maria Aboglio

 

     
 
 
O massacre de cães executado em duas cidades da Terra do Fogo, em Ushuaia há alguns anos e em Rio Grande recentemente, em conjunto nos âmbitos público e privado - decreto do Prefeito Jorge Martín e matanças de fazendeiros relacionados com o extermínio indígena da história argentina - demonstra até que ponto os animais são vítimas de uma estrutura legal que legitima a violência contra eles, a partir de conceituá-los como coisas e, portanto, de negar-lhes a possibilidade de ser portadores de direitos básicos. Demonstra também, com clareza, até que ponto a compaixão de alguns é absolutamente insuficiente para transformar por si só uma relação de poder perversa cuja abordagem tem sido chamada de a questão ética do século que acaba de iniciar.

Alguns protagonistas

No papel principal estão os Conselhos de Veterinários que, através de uma bem documentada história, sempre se manifestaram a favor de matar, dando inclusive detalhados conselhos para o uso da câmara de gás. Mas sua postura é compreensível, pois eles aprendem que os animais são coisas a serem exploradas nas matérias universitárias em que devem passar para conseguir seus diplomas. Os cursos lhes ensinam, e bem, que os animais existem para ser usados, para serem mantidos vivos na agressão do cativeiro até que a vida lhes seja tirada de uma forma ou de outra, para resistirem à tortura dentro de um laboratório, para suportarem na jaula a desgraça de haver nascido. E para ser cuidados com o amor e o respeito que merecem quando são catalogados como animais de companhia, sempre que tiverem um guardião responsável para levá-los ao veterinário.

Também como protagonistas estão os funcionários incompetentes. E os corruptos, que encontram interessantes vertentes programáticas antes dos assassinatos e durante sua ocorrência. Mas, por sorte, uma nova geração começa a entender que as biopolíticas verdadeiramente protetoras dos animais protegem também os animais humanos de, entre outras coisas, se tornarem robôs.

Fazem parte do elenco os reducionistas. Por alguma razão, eles preferem crer que o assunto passa somente por esterilizar o cão ou o gato vivendo nas ruas para deter a superpopulação de animais de companhia. E há os desesperados e ingênuos, habilmente arrastados por grupos de pressão bem-estaristas, e por estes convencidos de que, como os animais têm direitos, salvarão suas vidas do holocausto diário e universal simplesmente se esforçando para fazer denúncias conforme as leis de maus-tratos vigentes (no nosso caso, a vetusta lei 14.346 de 1954, sancionada quando a teoria jurídico-filosófica dos Direitos Animais, autenticamente ecologista, ainda não havia nascido). Aqueles que querem manter as coisas como estão dizem "primeiro as crianças", porque vivem em um mundo de poder e competência humana. Incapazes de perceber que a vida não lhes pertence, pregam às crianças que é moralmente aceitável matar aqueles dos quais deveríamos cuidar. Que tipo de adultos se tornarão as crianças que receberam tais ensinamentos? Adultos que, entre suas funções de guardiões responsáveis, incluam matar.

Na edição final deste filme são introduzidos outros responsáveis pela questão, os colaboradores periféricos, inclusive alguns que alegam dedicar-se aos pobres "bichinhos de estimação abandonados". E os matam para que não sofram.

Mas vamos nos aprofundar um pouco mais na compreensão das causas do problema. Teremos de questionar, em uma mea culpa inquisitiva e generalizada, a insensibilidade inculcada no ser humano pela educação oficial para que ele se afogue em uma individualidade egoísta, se embruteça na indiferença pelo sofrimento e pela injustiça a que submete os outros seres sencientes, e se transforme em fantoche dos donos do planeta. O poder absoluto que a humanidade exerce sobre os animais não-humanos é talvez a mais impiedosa face do poder corruptor. Que sinos deverão tocar para que a humanidade compreenda que os sinos estão dobrando pela sorte de todos os seres sencientes do planeta?

Para uma transformação ecológica profunda

O movimento pelos Direitos Animais é um movimento social voltado à transformação da relação que nos une aos demais seres sencientes, dentro de um contexto de revisão da relação com a natureza em seu conjunto. Atualmente a ordem imperante limita os direitos morais apenas aos seres humanos. A isto se costuma chamar de especismo, ou a "auto-atribuição exclusiva de direitos à espécie humana apenas" nas palavras do filósofo José Ferrater Mora.

Embora a teoria filosófico-jurídica que confere direitos básicos aos animais sencientes se nutra de compaixão, e ofereça e reconheça a compaixão, não requer este sentimento como condição indispensável para o respeito pela vida animal não-humana. Estou falando da compaixão entendida em sua fase de emoção primária, daquela impressão sensível que Nietszche associa aos fracos, beirando a - ou convertendo-se em - pieguice.

Entendida desta maneira, a compaixão serve para as pessoas compensarem o próprio medo e tentarem, por covardia, evitar que as mesmas coisas ruins também lhes aconteçam. Por isso essas pessoas sempre reagem quando a vítima é um ser humano. O carnívoro não poderá sentir compaixão pelos corpos mortos que ingere - pelos corpos da grande maioria dos animais, ao menos - e estará livre do medo de que ele ou seus filhos terminem num prato de comida. A mulher não sentirá angústia diante da vitrine cheia de animais mortos, pois não tem medo de ser trancada em uma jaula para que sua pele seja aproveitada por outras mulheres em enxertos cutâneos rejuvenescedores, para imaginarmos um exemplo.

Neste baixo escalão, a compaixão acumula outras funções. Pode ser um cálculo de benefícios futuros quase inconsciente - faço hoje por você aquilo que amanhã você terá de me devolver na forma de um cancelamento, devido ao crédito moral que eu lhe forneci. Graças a esse cancelamento, o cálculo conseguirá disfarçar de compaixão a indiferença posterior a uma reciprocidade futura obrigatória.

Acusação não menos importante deve ser feita à compaixão aparentemente inocente, ao se analisar um detalhe que a muitos pode surpreender: o patamar de superioridade onde se coloca a pessoa que se compadece. Assim, que maravilhosos seres humanos aqueles que se dedicam a dar assistência aos pobres animaizinhos, estes que estão nesta situação porque existem pessoas tão malvadas, e não porque é a sociedade, em seu conjunto, que tolera submetê-los à tortura e à morte, e os humilha decretando sua condição de recursos, pondo seus corpos e sua vida inteira à total disposição dos desígnios humanos. O ser de quem se sente dó recebe a dádiva - é melhor do que nada - premido por uma necessidade que não lhe permite salvaguardar o orgulho, humilhado por receber, por compaixão, aquilo que merece por direito próprio e justa medida. Felizmente, crianças e animais são muito ingênuos para se dar conta disso.

Para completar as funções, a compaixão emocional (podemos chamá-la assim) inunda de gratificação pessoal aquele que a sente, ao ser o "dador" do salvamento ao Outro, ao se regalar com o sabor de uma certa magnanimidade adquirida graças ao exercício. É o dito "complexo de herói", numa expressão de um amigo pessoal. Que não faltem então os miseráveis e os pobrezinhos de quem nos compadecermos e a quem salvarmos, porque de outra forma não poderemos alcançar o reino dos céus.

O movimento social pelos Direitos Animais pode se iniciar com essa compaixão primária nascida de uma sensibilidade elementar, mas, ao superá-la, instala-se na razão onde se fundamenta a verdadeira justiça. Aí, de qualquer maneira, a compaixão passa a mostrar sinais de virtude. Porque uma coisa está clara: Quem é considerado um objeto pela lei é propriedade de outro e, então, não pode ter nenhum direito dentro da ordem jurídica vigente. Não há compaixão que salve o animal coisificado, pois "coisas" não têm nenhum direito em qualquer ordenamento jurídico que consagre o direito de propriedade sobre as coisas. Os escravos humanos eram coisas. E as pessoas que levantavam sua voz para protegê-los reivindicavam quatro chicotadas por vez, no lugar de cinco. Mas ficava claro que elas não questionavam a condição dos escravos de "coisas", de recursos a serviço dos brancos.

O problema, como se vê, é muito profundo. Suas cores, as da escravidão. Subjugamos e prejudicamos os animais por escolha e não por necessidade. Este é o início da questão. Se não tratarmos deste tema, visando a estender o círculo de nossas considerações éticas a todos os seres sencientes, estaremos banalizando o mal que lhes fazemos e perpetuando sua escravidão.

Texto já publicado na edição digital do Diario La Union - www.launion.com.ar, em 11 de setembro de 2003.

Ana María Aboglio

Advogada e escritora, licenciada em Filosofia do Direito, especializada em Direito dos Animais e em Direito de Danos e Interpretação Legislativa. Elaborou uma profunda tarefa de síntese interdisciplinar sobre a questão animal, com enfoque holístico, para a abordagem da teoria dos direitos dos animais na práxis social. Em 2000, participou da fundação de Ánima, o primeiro projeto de Direitos dos Animais da América Latina. Como ativista, organizou e participou de múltiplas atividades, aliando a teoria liberacionista à difusão do veganismo. Em sua tarefa de divulgação, incluem-se conferências e participação em programas de rádio e televisão. Capacitadora em teoria argumentativa, coordena estratégias e brinda ferramentas de aplicação para campanhas pontuais a grupos de ativistas em todo o mundo. Publicou “La voz de los otros” (2004) livro de narrativa onde clama o grito da animalidade sem voz.

 

Da revista "PENSATA ANIMAL"


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 17:46
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
CONTRA A SEMANA DO "FOIE GRAS"


 

Conforme divulgado no dia 07/12, no Jornal Folha de São Paulo (Caderno Folha Ilustrada, página E3) e também no site da La Brasserie Erick Jacquin (http://www.brasserie.com.br/promocao/promo_foie-gras.html), este casa está promovendo a partir de hoje a SEMANA DO FOIE-GRAS.
 
Um dos exemplos mais bizarros e desumanos de violência contra os animais é a produção do foie gras ou patê de fígado de ganso. Anualmente, 10 milhões de gansos e patos são mortos para a produção de quase 17 mil toneladas de foie gras.
 
O processo se resume a tortura! Os animais são confinados nos criadouros em espaços pequenos para que não consigam se movimentar e, conseqüentemente, não gastarem energia desnecessariamente. Numa área de dois metros quadrados são confinados até 12 animais.
 
Como eles se alimentam? Nada naturalmente. Se você está pensando em algo como ciscar, você está, infelizmente, muito enganado.
 


O criador prende a ave entre as pernas e, esticando seu pescoço, enfia um grosso tubo de metal por sua garganta. Esse tubo tem, em média, 30 centímetros de comprimento. Em seguida, um motor bombeia uma mistura de milho e gordura diretamente no estomago do animal. Um anel de borracha amarrado no pescoço impede que a ave vomite.
 


Esse processo é repetido de 3 a 5 vezes ao dia, fazendo com que a ave consuma cerca de 3 quilos de ração por dia. Com essa alimentação excessiva e desequilibrada o animal desenvolve problemas cardíacos e disfunções intestinais. Após 3 ou 4 semanas, os “sobreviventes” são abatidos.

O que se vê, então, são órgãos deformados. O fígado de um animal sadio pesa cerca de 120 gramas. O do animal tratado dessa maneira chega a 1200 gramas, dez vezes mais que o normal!

Foie gras
 
E é esse fígado doente, com mais do que o dobro de gordura de um hambúrguer comum, que as pessoas comem com satisfação em requintados restaurantes.

Texto adaptado de http://clickeaprenda.uol.com.br/cgi-local/lib-site/conteudo/mostra_conteudo.pl?nivel=M&disc=not&codpag=NOT0907200601
 

 


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:56
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
DEPRESSÃO POR QUEBRA DE LAÇOS AFECTIVOS

 

Mafra: Macaca em depressão após ter sido retirada ao dono
(Por Isaltina Padrão. In DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 25 de Novembro de 2009, http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1429570&seccao=Centro)
 
Empresário, de 54 anos, comprou animal em Moçambique e manteve-o numa jaula. A GNR detectou a situação e o dono terá  de  pagar multa entre 20 e 30 mil euros
 
Há 14 anos, Carlos (chamemos-lhe assim) foi passar férias a Moçambique e de lá trouxe companhia: uma macaca bebé que, durante todo este tempo manteve em cativeiro numa casa na Venda do Pinheiro, no concelho de Mafra. O feito, que mais não é do que posse ilegal de animais, vai valer a este homem de 54 anos e empresário na área da publicidade uma multa que oscilará entre os 20 e os 30 mil euros, bem como o desgosto da separação da sua macaca de estimação, que, neste momento, mora já no Jardim Zoológico de Lisboa. Mas está infeliz.
 
Uma separação que terá causado danos (monetários, mas sobretudo emocionais) não só ao dono do animal, como ao próprio. Segundo fonte oficial do Jardim Zoológico, "o primata apreendido pela GNR encontra-se de quarentena" e ao que o DN apurou, a mudança de ambiente deixou a macaca, que terá hoje cerca de 15 anos, em estado depressivo.
 
De acordo com a presidente da Associação Animal, Rita Silva, "é perfeitamente normal que esteja deprimida". E justifica: "Estamos a falar de um ser [espécime Saguinus] altamente sociável e, independentemente das más condições em que poderia estar a viver, desenvolveu laços afectivos com aqueles com quem se relacionou durante anos. Essa era a única vida que a macaca conhecia e, de repente, foi desmoronada".
 
Para a Animal, situações como esta têm de ser alteradas sim, mas de forma gradual de maneira a não se ressentirem no bem-estar das espécies. Rita Silva diz ter sido por isso que a associação, alertada para esta situação de cativeiro há cerca de meio ano, ainda não tomou uma medida drástica. "Antes de fazer o resgate, nós estávamos a tentar encontrar uma situação de santuário para a macaca", explicou esta responsável, adiantando que por santuário entende-se "um local que abriga, para o resto da vida, animais que viviam de forma anti-natural e tenta recriar o seu habitat". Algo que, frisa, não "acontece no jardim zoológico e razão pela qual discordamos da decisão de transferir a macaca para lá".
 
Mas foi este o destino decidido pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, após a macaca ter sido retirada do cativeiro. O DN tentou contactar esta entidade, mas, até à hora de fecho desta edição, tal não foi possível.
 
Era numa jaula, nas proximidades de casa que Carlos mantinha a macaca que comprou com apenas um ano. O fim do cativeiro/infracção (ver caixa) que durou 14 anos ocorreu pelas 10.30 de segunda-feira, quando o Destacamento Territorial de Mafra da GNR, através do seu Núcleo de Protecção Ambiental detectou a macaca. "Temos feito a recolha de muitas informações, nomeadamente de notícias publicadas, que nos conduziram até este animal", disse ao DN, fonte da GNR, apelando às pessoas que conhecerem situações semelhantes a denúncia das mesmas. Tal pode ser feito através da linha SOS Ambiente e Território, cujo número de telefone é: 808200520 (grátis).
 
A Associação Animal também defende o resgate, mas nunca da forma "brutal" como este foi feito. 

 


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:45
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
PORQUÊ PARAR DE CONSUMIR ÓLEO DE PALMA

 

 

 

 

 

Pare de consumir óleo de palma!

 

 

Fonte: Center for the Great Apes
 
Center For Great Apes E-news, 23/09/2009
 
Por Patti Ragan, Center for Great Apes (Flórida, EUA)
 
No início de mês, estive presente no Workshop anual de orangotangos no zoológico de Atlanta. Idéias maravilhosas surgem nestes workshops, onde tratadores, protetores, supervisores, curadores e veterinários se reúnem para discutir as melhores formas de manejo e cuidado para orangotangos em cativeiro em zoológicos e santuários. Questões de saúde, dieta e nutrição, enriquecimento e espaço para comportamento natural são tópicos discutidos por vários dias. Todos saem da reunião com mais idéias para tornar a vida dos orangotangos sob sua responsabilidade melhor.
 
Enquanto trabalhamos duro no Centro para os Grandes Primatas para oferecer o melhor cuidado possível para orangotangos e chimpanzés que vieram para a gente da indústria de entretenimento, domesticação inadequada, zoológicos de estrada... não podemos ignorar a crise enfrentada pelos orangotangos em Borneo e Sumatra. Destruição gratuita de habitats e áreas naturais e desmatamento para mais extração de madeira e produção insustentável de óleo de palma resultaram na morte de 6 mil orangotangos só no último ano!
 
O que podemos fazer em nosso dia-a-dia para enfrentar essa situação catastrófica LEIA RÓTULOS quando for fazer compras, e não compre nada com óleo de palma... ou pelo menos fique atento aos ingredientes e corte drasticamente o consumo de óleo de palma Pessoas na Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra que se opuseram a fabricantes devido ao uso de óleo de palma em sabonetes e artigos alimentícios fizeram uma diferença no jeito que algumas indústrias passaram a produzir seus produtos. Kentucky Fried Chicken (na Austrália) parou de usar óleo de palma na sua comida e mudou para óleo de canola.
 
Óleo de palma é a grande ameaça para a sobrevivência dos orangotangos. Por favor, fique atento e pare de comprar produtos que contenham o óleo. No final das contas, se os consumidores pararem de comprar esses produtos, NÓS podemos fazer a diferença na vida selvagem (incluindo orangotangos) que depende da floresta para sua alimentação e sobrevivência.

 


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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
ABDICAR DE MATAR

Noticia
(Por Luís Portela. In “Jornal de Notícias”, 4 de Novembro de 2009)
 
Assassino é, segundo os dicionários, quem mata ou manda matar com intenção. O termo está relacionado com a ideia de morte provocada com violência, mais ou menos premeditada e/ou de forma traiçoeira.
 
Poderá colocar-se a questão se os perto de 300.000 portugueses que, às quintas-feiras e domingos, entre Agosto e Fevereiro, matam animais a tiro pelos campos deste país, normalmente conhecidos por caçadores, podem ou devem ser chamados de assassinos.
 
Matam com intenção, de forma premeditada, com violência, traiçoeiramente, seres indefesos e que nada terão feito para merecerem o sofrimento a que muitas vezes são sujeitos pela sensação de perseguição, pelo susto, a dor e a agonia provocados pelos tiros dos caçadores ou pelas dentadas dos seus cães. Seres pacíficos, belos, úteis, com direito à vida, que nada terão feito para merecerem a morte.
 
Não matam em defesa própria, nem por necessidade. Matam por prazer ou… por desporto. Não matam corajosamente, olhos nos olhos, quem tem meios de defesa e poder de contra-ataque. Matam seres inocentes, sem qualquer capacidade de defesa. E fazem-no por prazer ou… por desporto.
 
Mas os dicionários referem a palavra assassino relacionada com a morte de pessoas. Não costuma ser utilizada para quem comete o mesmo acto em outros animais, pelo que a sua utilização - pelo menos para já - é inadequada.
 
E digo "pelo menos para já" porque penso que, mais cedo ou mais tarde, a humanidade irá reprovar fortemente quem não respeite as mais diversas formas de vida. Não sei se os caçadores algum dia vão ser chamados de assassinos. Mas tenho a convicção de que a caça virá a ser reprovada por um cada vez maior número de pessoas e, eventualmente, proibida.
 
Entretanto, muito gostaria que as pessoas que criaram o gosto pela caça meditassem um pouco no que realmente fazem e se - face às leis universais - podem ou devem fazê-lo. Mais bonito que a proibição da caça, seria que cada um dos caçadores abdicasse do seu prazer ou… do seu desporto.
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Imagem retirada da internet


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publicado por Maria João Brito de Sousa às 17:30
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